sábado, 18 de outubro de 2014

liberte-se dessa mentira, abra seu coração e deixe o sangue escorrer. era o que estava talhado na porta de madeira da sala da minha nova professora de piano. dei duas batidas, ela girou a maçaneta e me convidou pra entrar. um apartamento pequeno, na sala tinha um belíssimo piano marrom, nada de tv. era a primeira vez, em 7 anos de aulas, que eu ia na casa de um professor. ela me pediu pra sentar no sofá e disse que logo voltaria, e voltou com um caderno de partituras, abriu em um prelúdio do bach e me perguntou se eu conhecia. eu disse que não, ela disse: ótimo, leitura à primeira vista. fomos para o piano, nos sentamos, ela pôs um óculos que estava em cima de uma mesa de canto, do lado do piano, e foi aí que comecei percebê-la. ela ficou linda de óculos, de um jeito estranho. comecei a olhá-la com novos olhos, não aparentava ser muito mais velha que eu, no máximo uns 10 anos. ela me pediu, e comecei a tocar, iniciei bem mas depois fui tropeçando, me desculpei dizendo que a minha cabeça pensa mais rápido do que meus dedos conseguem dançar, por isso tudo fica uma bagunça. ela sorriu e falou que estava bom pra nossa primeira aula.
naquele mesmo dia saí  com dois amigos, fomos a um bar, e minha professora estava lá, com uma amiga, esperei a amiga ir no banheiro e fui na professora, disse oi. ela retribuiu o oi, eu a chamei pra ir dar uma volta, fomos pra casa dela. e depois dormimos. quando acordei ela estava olhando pra mim.
eu perguntei: pra quem você toca piano? ela me disse: pra mim.

domingo, 14 de setembro de 2014

le temps retrouvé

acordei onze horas, uma dor de cabeça meio estranha, sabia que deveria levantar, eu tinha um teste na faculdade 13:30. olhei no frigô, não tinha nem suco nem agua, abri a janela, fiquei olhando pra seda que estava no parapeito, ela era toda desenhada, fiz um aviãozinho que voou. ascendi um. passei uns 40 minutos ali, observando o tempo, o gramado, o prédio, as árvores. coloquei uma calça e a camiseta, bebi água da pia, joguei um pouco no rosto, desci os três andares, peguei a bike e fui. fui pela ciclovia às margens dos rios, é tão estranho, dois rios serem divididos por uma estradinha, parece não natural, mas é incrível, me lembra uma ponte que corta o oceano, me faz pensar que meu destino é ir até o final, pedalar até encontrar a paz.
precisava comer e precisava chegar naquela sala, fiz um desvio, entrei num kebab, tava cheio, peguei uma coca e voltei pro caminho. era uma prova de inglês. o céu não estava nada cinza cinza.

sábado, 16 de agosto de 2014

a grandiosidade do mundo

não te quero ao meu redor, não te quero hoje. nem te quero nunca.
eu não te quero, não te quero. não te quero porque não te acho legal, porque não gosto do seu sorriso, porque não gosto do fato de você ligar pra mim de manhã. não goto das suas pernas, e do lindo jeito que nos conhecemos. não te quero porque tenho medo do seu pai, tenho medo de perder meus direitos e meu dinheiro, nem é tanto medo assim, na verdade não tenho medo. não me importo com essas baratas que assombram seu intelecto, não te acho inteligente. não quero que você ache nada de mim. quero esquecer seus parentes me incomodando, essas conversas de uma palavra por dia não me atraem, muito menos me satisfazem, realmente não gosto dessas frações, use coisas inteiras, ou só não use nada. não te quero por perto. devo pedir demissão só pra nunca mais te ver?
você não me afeta, você não me molda, nem me conduz. essa estrada molhada pela chuva de lágrimas é muito escorregadia pra dois, essa gangorra está falida, já nem sei mais quem está em baixo. se for eu, você tem minha palavra que não te colocarei de castigo, só não quero estar no meio, não quero ficar com o pé no chão, nem quero estar contigo. eu sei com quem quero estar, mas dela sim tenho receio, de tocar seus lábios de surpresa, de fazer ela se apaixonar por mim, aquele jeito encantador me domina, aquela voz baixinha e aquelas manias, aquele vamos viver, e aquelas cores se fundiram dentro da minha mente. não estou extasiado, isso é concreto. 
nem tudo é uma pena, muitas coisas somente são coisas, nem boas nem ruins. são só coisas. se você me mostrasse um pouco mais de você, talvez eu ficaria melhor, pensaria diferente.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Bluebird

há um pássaro azul em meu coração que 
deseja sair 
mas sou muito durão para ele, 
eu digo, fique aí, não vou 
deixar ninguém te 
ver. 

 há um pássaro azul em meu coração que 
deseja sair 
mas eu derramo whiskey nele e inalo 
fumaça de cigarro 
e as prostitutas, os bartenders 
e os balconistas de mercado 
nunca sabem que 
ele está 
lá dentro. 

Há um pássaro azul em meu coração 
que deseja sair mas sou muito durão para ele,
eu digo, 
fique escondido, você quer me 
atrapalhar? 
quer estragar os 
trabalhos? 
quer arruinar minhas vendas de livros na 
Europa?

há um pássaro azul em meu coração que 
deseja sair 
mas eu sou muito esperto, só o deixo sair 
algumas vezes à noite 
quando todos estão adormecidos. 
eu digo, eu sei que você está aí, 
então não fique 
triste. 

 então o coloco de volta, 
mas ele está cantando um pouco
lá dentro, eu ainda não o deixei 
morrer 
e nós dormimos juntos desse 
jeito 
com nosso
pacto secreto 
e é belo o bastante para
fazer um homem 
chorar, mas eu não 
choro, e 
você? 


 Charles Bukowski

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Pleure moi une rivière

Perdi mais uma chance de ver o cometa passar,
de ver a estrela.
Que bom que essa ideia não me atormenta,
daqui a 741 anos vou poder encontrá-la.

who will love you? who will fight? who will fall far behind?


domingo, 3 de novembro de 2013

Sois sage, cela va de soi.

Je suis arrivé plus tôt pour trouver le dire,
c'était seulement pour te faire plaisir, mais c'est trop cher pour moi.
À mon avis la vie arrivé par le train de onze heures,
alors il m'est venu une idée
peut-être je ne vois pas ce que tu veux dire, n'avoir rien à voir avec moi.
Ne t'inquietes pas.

sábado, 2 de novembro de 2013

A Menina Complexa Pura

Só queria dar umas risadas, começou assim.
Não foi confuso, nada confuso.
Sua presença me acalmou,
suas palavras, que pra você eram infinitas, me tranquilizaram.
E eu sou queria te ouvir mais, ouvir mais, mais e mais.
Olívia era linda,
por que você me disse quem era, Olívia? Por que fez isso comigo?