terça-feira, 12 de março de 2013

Across the Universe 2

Não sei como dizer o que existe, o que existe parece ser fraco, e o que não existe parece ser profundo.
Percebendo o tamanho da felicidade, aprendendo a traduzi-la.
Fraco e profundo, isso é mesmo possível?
Nem sempre a realidade.
Nesses dias que tenho procurado a não inconstância, tenho achado uma vida ideal, um mar de possibilidades que até mês passado eram impossíveis.
Estou feliz, e realmente quero me manter assim. Vamos ver até quando vou conseguir. uma aposta cairia bem agora, mas hoje meus pertences mais valiosos são sentimentos, e não tenho coragem de apostá-los. Não posso me imaginar no frio infinito novamente. 

Como as letras são redondas?

A resposta é mais que óbvia e todos já sabem:
41.
digo, 43.
gigo 42.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Architect of Destruction

Eu não quero apagar minha dor, por mais que doa, ela faz de mim quem eu sou.

Já não sabia onde era iníco ou fim,
Não aguento mais ouvir as mesmas coisas, mesma pronuncia.

Finja ser francesa hoje,  meu amor
e não invente mais desculpas.

Quando foi que eu comecei a não me reconhecer mais? Quem afinal sou eu e o que eu quero fazer? Só não quero ser mais um a existir, quero sentir, preciso sentir.


sábado, 9 de fevereiro de 2013

E se a chuva alagar aqui?

Já estou farto dessa ladainha, do papo furado sem fim, dos ciclos intermináveis. Dos/Dois corações batendo, tudo fica indicado naquela telinha de hospital, ao lado da maca, no meio da UTI. Tantos altos e baixos, queria um pouco de estabilidade, um pouco de paz. Mas não quero morrer. Será que isso é possível? Não posso simplesmente desligar o monitor?




quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Título

Frederico sabia o esforço sobre-humano que ele fazia para manter uma máscara de indiferença.
Não que ele se importasse na verdade, mas era difícil exprimir o que ele realmente sentia. Sabia que quanto mais ia melhorando no inglês, mais sua vida ia apodrecendo. Quanto mais ele conhecia o mundo, mais ele piorava.
Seus castelos são feitos de algo mais frágil do que areia. Algo bem mais fácil de se destruir. Vigas e pilares que vão se dissolvendo com o tempo, levadas pra as dunas, depositadas no fundo do mar ou só sobem no infinito do céu.
As vezes aparece uma alegria, que brota do nada e consome todo seu corpo pequeno, como um duende doente, que continua a trabalhar na mina de diamantes..
Não pode-se mais fazer nada, só dançar.
Frederico colocou a mão na cabeça e percebeu o sangramento, era a quarta vez nessa semana, os pontos da lobotomia recém acabada iam se soltando antes do tempo, e deixando sua carne exposta, mas o que doía mesmo estava dentro do seu peito.


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A menina dos fósforos

Estava tanto frio! A neve não parava de cair e a noite aproximava-se. Aquela era a última noite de Dezembro, véspera do dia de Ano Novo. Perdida no meio do frio intenso e da escuridão, uma pobre rapariguinha seguia pela rua fora, com a cabeça descoberta e os pés descalços. É certo que ao sair de casa trazia um par de chinelos, mas não duraram muito tempo, porque eram uns chinelos que já tinham pertencido à mãe, e ficavam-lhe tão grandes, que a menina os perdeu quando teve de atravessar a rua a correr para fugir de um trem. Um dos chinelos desapareceu no meio da neve, e o outro foi apanhado por um garoto que o levou, pensando fazer dele um berço para a irmã mais nova brincar. 
 Por isso, a rapariguinha seguia com os pés descalços e já roxos de frio; levava no avental uma quantidade de fósforos, e estendia um maço deles a toda a gente que passava, apregoando: — Quem compra fósforos bons e baratos? — Mas o dia tinha-lhe corrido mal. Ninguém comprara os fósforos, e, portanto, ela ainda não conseguira ganhar um tostão. Sentia fome e frio, e estava com a cara pálida e as faces encovadas. Pobre rapariguinha! Os flocos de neve caíam-lhe sobre os cabelos compridos e loiros, que se encaracolavam graciosamente em volta do pescoço magrinho; mas ela nem pensava nos seus cabelos encaracolados. Através das janelas, as luzes vivas e o cheiro da carne assada chegavam à rua, porque era véspera de Ano Novo. Nisso, sim, é que ela pensava. 
Sentou-se no chão e encolheu-se no canto de um portal. Sentia cada vez mais frio, mas não tinha coragem de voltar para casa, porque não vendera um único maço de fósforos, e não podia apresentar nem uma moeda, e o pai era capaz de lhe bater. E afinal, em casa também não havia calor. A família morava numa água-furtada, e o vento metia-se pelos buracos das telhas, apesar de terem tapado com farrapos e palha as fendas maiores. Tinha as mãos quase paralisadas com o frio. Ah, como o calorzinho de um fósforo aceso lhe faria bem! Se ela tirasse um, um só, do maço, e o acendesse na parede para aquecer os dedos! Pegou num fósforo e: Fcht!, a chama espirrou e o fósforo começou a arder! Parecia a chama quente e viva de uma candeia, quando a menina a tapou com a mão. Mas, que luz era aquela? A menina julgou que estava sentada em frente de um fogão de sala cheio de ferros rendilhados, com um guarda-fogo de cobre reluzente. O lume ardia com uma chama tão intensa, e dava um calor tão bom! Mas, o que se passava? A menina estendia já os pés para se aquecer, quando a chama se apagou e o fogão desapareceu. E viu que estava sentada sobre a neve, com a ponta do fósforo queimado na mão. 
 Riscou outro fósforo, que se acendeu e brilhou, e o lugar em que a luz batia na parede tornou-se transparente como tule. E a rapariguinha viu o interior de uma sala de jantar onde a mesa estava coberta por uma toalha branca, resplandecente de loiças finas, e mesmo no meio da mesa havia um ganso assado, com recheio de ameixas e puré de batata, que fumegava, espalhando um cheiro apetitoso. Mas, que surpresa e que alegria! De repente, o ganso saltou da travessa e rolou para o chão, com o garfo e a faca espetados nas costas, até junto da rapariguinha. O fósforo apagou-se, e a pobre menina só viu na sua frente a parede negra e fria. 
 E acendeu um terceiro fósforo. Imediatamente se encontrou ajoelhada debaixo de uma enorme árvore de Natal. Era ainda maior e mais rica do que outra que tinha visto no último Natal, através da porta envidraçada, em casa de um rico comerciante. Milhares de velinhas ardiam nos ramos verdes, e figuras de todas as cores, como as que enfeitam as montras das lojas, pareciam sorrir para ela. A menina levantou ambas as mãos para a árvore, mas o fósforo apagou-se, e todas as velas de Natal começaram a subir, a subir, e ela percebeu então que eram apenas as estrelas a brilhar no céu. Uma estrela maior do que as outras desceu em direcção à terra, deixando atrás de si um comprido rasto de luz. 
 «Foi alguém que morreu», pensou para consigo a menina; porque a avó, a única pessoa que tinha sido boa para ela, mas que já não era viva, dizia-lhe muita vez: «Quando vires uma estrela cadente, é uma alma que vai a caminho do céu.» 
 Esfregou ainda mais outro fósforo na parede: fez-se uma grande luz, e no meio apareceu a avó, de pé, com uma expressão muito suave, cheia de felicidade!
 — Avó! — gritou a menina — leva-me contigo! Quando este fósforo se apagar, eu sei que já não estarás aqui. Vais desaparecer como o fogão de sala, como o ganso assado, e como a árvore de Natal, tão linda. 
 Riscou imediatamente o punhado de fósforos que restava daquele maço, porque queria que a avó continuasse junto dela, e os fósforos espalharam em redor uma luz tão brilhante como se fosse dia. Nunca a avó lhe parecera tão alta nem tão bonita. Tomou a neta nos braços e, soltando os pés da terra, no meio daquele resplendor, voaram ambas tão alto, tão alto, que já não podiam sentir frio, nem fome, nem desgostos, porque tinham chegado ao reino de Deus. 
 Mas ali, naquele canto, junto do portal, quando rompeu a manhã gelada, estava caída uma rapariguinha, com as faces roxas, um sorriso nos lábios… mor ta de frio, na última noite do ano. O dia de Ano Novo nasceu, indiferente ao pequenino cadáver, que ainda tinha no regaço um punhado de fósforos. — Coitadinha, parece que tentou aquecer-se! — exclamou alguém. Mas nunca ninguém soube quantas coisas lindas a menina viu à luz dos fósforos, nem o brilho com que entrou, na companhia da avó, no Ano Novo. 

 Hans Christian Andersen 
Os melhores contos de Andersen 
Editora Verbo, s/d

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

o coração acelerado

Traga de volta meu coração acelerado.
Clichê, clichê, clichê, 20 vezes.
Eu sou um ser atemporal, perdido no espaço.
Tu és tu.
Ele/ela não sabia.
Quem é que me entendia com seus conselhos inócuos e sua vida sem sentido?
Eu ainda sinto sua ausência, e a agonia de ficar sempre assim, me leva pra qualquer lugar.