quinta-feira, 2 de maio de 2013

Dívidas

A obsessão de anotar todos os recados
João e Orlando são irmãos. Viviam numa cidade pequena, quieta e fria, no sul do mundo. Tiveram a oportunidade de viver os prazeres da infância, jogaram futebol com os amigos, correram, nadaram nos rios próximos, subiram em árvores e riram bastante de piadas idiotas.
João nutria um desejo imenso de conhecer o mundo, explorar o universo, conhecer pessoas e suas histórias, sabia que a vida não se resumia apenas ao seu [pé].
João cresceu, foi pre faculdade em uma cidade enorme, se formou, virou homem, começou a trabalhar. Voltou pra faculdade, decidiu fazer um curso novo. Certa noite estava no corredor da faculdade de artes, viu uma menina passando, estava um pouco bêbada e usava uma camisa  com uma frase enorme escrita, demorou um pouco até que ele pudesse ler por completo: "A felicidade não é felicidade sem ter um bode tocando violino".
Ela seguia do fundo do corredor em direção a ele, o olhava com um olhar tão fixo quanto se pode ter após algumas taças de blue lagoon.
Finalmente ela o alcançou e com tristeza no olhar, deu-lhe um beijo.
A menina desconhecida prosseguiu, continuou a andar pelo corredor infinito, agora, olhando suas costas João, ligeiramente atordoado e sem fala, percebeu a pintura de Marc Chagall - La Mariée na parte de trás de sua camisa.
Enquanto isso Orlando continuava feliz na pequena cidade.


domingo, 7 de abril de 2013

Nem sei porque isso chegou na minha mente hoje antes de dormir, mas é bom falar, já que vou ter esquecido do seu nome ao acordar

Agora que não te vivo mais, você virou só uma memória, que inevitavelmente vai se apagar, talvez até já tenha ido embora, saiu tudo pelo meu nariz, pelo meu ouvido, por minha boca. Desceu pelo ralo.
A tão sombria/sonhada liberdade chegou pra você, espero que essa busca vá além de uma ilusão em que você se encontra no meio do labirinto.
Quando perceber que o minotauro está chegando, use o fio de Ariadne, a solução pode ser essa.

http://goo.gl/ME3g4

terça-feira, 12 de março de 2013

Across the Universe 2

Não sei como dizer o que existe, o que existe parece ser fraco, e o que não existe parece ser profundo.
Percebendo o tamanho da felicidade, aprendendo a traduzi-la.
Fraco e profundo, isso é mesmo possível?
Nem sempre a realidade.
Nesses dias que tenho procurado a não inconstância, tenho achado uma vida ideal, um mar de possibilidades que até mês passado eram impossíveis.
Estou feliz, e realmente quero me manter assim. Vamos ver até quando vou conseguir. uma aposta cairia bem agora, mas hoje meus pertences mais valiosos são sentimentos, e não tenho coragem de apostá-los. Não posso me imaginar no frio infinito novamente. 

Como as letras são redondas?

A resposta é mais que óbvia e todos já sabem:
41.
digo, 43.
gigo 42.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Architect of Destruction

Eu não quero apagar minha dor, por mais que doa, ela faz de mim quem eu sou.

Já não sabia onde era iníco ou fim,
Não aguento mais ouvir as mesmas coisas, mesma pronuncia.

Finja ser francesa hoje,  meu amor
e não invente mais desculpas.

Quando foi que eu comecei a não me reconhecer mais? Quem afinal sou eu e o que eu quero fazer? Só não quero ser mais um a existir, quero sentir, preciso sentir.


sábado, 9 de fevereiro de 2013

E se a chuva alagar aqui?

Já estou farto dessa ladainha, do papo furado sem fim, dos ciclos intermináveis. Dos/Dois corações batendo, tudo fica indicado naquela telinha de hospital, ao lado da maca, no meio da UTI. Tantos altos e baixos, queria um pouco de estabilidade, um pouco de paz. Mas não quero morrer. Será que isso é possível? Não posso simplesmente desligar o monitor?




quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Título

Frederico sabia o esforço sobre-humano que ele fazia para manter uma máscara de indiferença.
Não que ele se importasse na verdade, mas era difícil exprimir o que ele realmente sentia. Sabia que quanto mais ia melhorando no inglês, mais sua vida ia apodrecendo. Quanto mais ele conhecia o mundo, mais ele piorava.
Seus castelos são feitos de algo mais frágil do que areia. Algo bem mais fácil de se destruir. Vigas e pilares que vão se dissolvendo com o tempo, levadas pra as dunas, depositadas no fundo do mar ou só sobem no infinito do céu.
As vezes aparece uma alegria, que brota do nada e consome todo seu corpo pequeno, como um duende doente, que continua a trabalhar na mina de diamantes..
Não pode-se mais fazer nada, só dançar.
Frederico colocou a mão na cabeça e percebeu o sangramento, era a quarta vez nessa semana, os pontos da lobotomia recém acabada iam se soltando antes do tempo, e deixando sua carne exposta, mas o que doía mesmo estava dentro do seu peito.