sábado, 29 de dezembro de 2012
Fácil Amor
Sentia-se como se estivesse dentro daquele poema de Drummond: João que amava Maria que amava Pedro...
Tinha um coração vadio e inquieto.
Por isso amava João, Pedro, Joaquim e até Alberto que, engatado nela feito cachorro no cio, não a amava nem um pouco.
Gustavo Rios, in: O Amor é Uma Coisa Feia. 7 Letras
Topo poeta é um perdedor
Quando a
vi pela primeira vez, tive vontade de escrever-lhe um longo poema que
falasse de amor. Nada entendia de metáforas. Busquei algumas belas
palavras no dicionário e coloquei no papel meus mais sinceros
sentimentos.
Na
sexta-feira a vi passando na rua. Entreguei-lhe o "tal"
papel com meu "poema". Exultante com minha coragem. Ela
passou o olho e sorriu com candura. Deu-me um beijo no rosto e se
foi.
Um pouco
mais tarde eu voltava para casa, deslumbrado com esse novo
sentimento. No caminho havia um muro. Do outro lado desse muro - era
alto e dava para um matagal - ouvi alguns gemidos. Subi com cautela
para ver o que era, movido por minha curiosidade. Ela estava de
joelhos, enquanto um cara gemia e gozava dentro de sua boca.
Passei o
resto da noite pensando o que havia de errado com meu longo e sincero
poema de amor.
Gustavo
Rios, in: O Amor é Uma Coisa Feia. 7 Letras
domingo, 25 de novembro de 2012
Caçador de Bisouros
Era uma vez Lílian. Era uma vez Pedro.
Eram gêmeos, gêmeos fraternos. Lílian cresceu e tornou-se prostituta. Pedro não cresceu ainda, mas tornou-se advogado, depois juíz. Não se viam desde o dia exato do aniversário de sua mãe, que morrera tragicamente com um pedaço de bolo de chocolate entalado na garganta.
Lílian, uma menina de 9 anos, pele clara, cabelo ruivo, sardinhas espalhadas pelo corpo, menina de aparência esperta, olhos cativantes, mesmo com pouca idade sabe convencer qualquer um que sua opinão é a mais adequada sempre, quer ser policial quando crescer.
Foi levada a um orfanato no suburbio de sua cidade natal, chamado St Peter, lá ela encontrou uma rotina até que agradável, embora sem luxo algum. De manhã brincava com os meninos da casa, jogava bola e corria. Ela nem ligava se caia e se ralava, tinha muita diversão lá, porém quando pensava em seu irmão seu dia se fechava, não tinha ânimo nem pra pular corda. À tarde era a hora dos estudos, e ela gostava do que aprendia.
ESSE PARÁGRAFO CONTA A HISTÓRIA DE PEDRO
27 de abril, aniversário de 13 anos de Lílian, ela acrdou numa manhã fria e com um sol ralo, se lembrou de seu irmão, o dia fechou. Também era o aniverásio dele e ela se sentia frustada por já não se lembrar mais de sua voz, porém seus olhos eram impossível esquecer, eram idênticos aos dela. O diretor do orfanato a chamou em sua sala, Lílian não sabia o que poderia ser, talvez ela recebesse algum presente especial pelo aniversário. Bateu duas vezes na porta, o diretor a abriu coma feição indiferente, não demostrava nenhum soriso e nenhuma frustação. Mandou-a sentar. Ela sentou-se enquanto ele fechava a cortina. Ele abaixou as calças e começou a se maturbar, Lílian com medo fugiu, ele não impediu. Seu dia nunca mai se abriu.
ESSE PARÁGRAFO CONTA A HISTÓRIA DE PEDRO
Reticências e todos morrem no final
Eram gêmeos, gêmeos fraternos. Lílian cresceu e tornou-se prostituta. Pedro não cresceu ainda, mas tornou-se advogado, depois juíz. Não se viam desde o dia exato do aniversário de sua mãe, que morrera tragicamente com um pedaço de bolo de chocolate entalado na garganta.
Lílian, uma menina de 9 anos, pele clara, cabelo ruivo, sardinhas espalhadas pelo corpo, menina de aparência esperta, olhos cativantes, mesmo com pouca idade sabe convencer qualquer um que sua opinão é a mais adequada sempre, quer ser policial quando crescer.
Foi levada a um orfanato no suburbio de sua cidade natal, chamado St Peter, lá ela encontrou uma rotina até que agradável, embora sem luxo algum. De manhã brincava com os meninos da casa, jogava bola e corria. Ela nem ligava se caia e se ralava, tinha muita diversão lá, porém quando pensava em seu irmão seu dia se fechava, não tinha ânimo nem pra pular corda. À tarde era a hora dos estudos, e ela gostava do que aprendia.
ESSE PARÁGRAFO CONTA A HISTÓRIA DE PEDRO
27 de abril, aniversário de 13 anos de Lílian, ela acrdou numa manhã fria e com um sol ralo, se lembrou de seu irmão, o dia fechou. Também era o aniverásio dele e ela se sentia frustada por já não se lembrar mais de sua voz, porém seus olhos eram impossível esquecer, eram idênticos aos dela. O diretor do orfanato a chamou em sua sala, Lílian não sabia o que poderia ser, talvez ela recebesse algum presente especial pelo aniversário. Bateu duas vezes na porta, o diretor a abriu coma feição indiferente, não demostrava nenhum soriso e nenhuma frustação. Mandou-a sentar. Ela sentou-se enquanto ele fechava a cortina. Ele abaixou as calças e começou a se maturbar, Lílian com medo fugiu, ele não impediu. Seu dia nunca mai se abriu.
ESSE PARÁGRAFO CONTA A HISTÓRIA DE PEDRO
Reticências e todos morrem no final
borboletas no aquário
Mais um dia desses e a morte vem me encontrar.
Dia de desistir do mundo, dia de repensar, dia de querer só assistir um vida pior do que a minha.
Não preciso beber, não preciso esquecer. Não tem como. Essa agunia me deixa exausto, não aguento mais esquecer o que eu deveria lembrar e lembrar o que eu deveria nem ter feito. Quero mandar todos a puta que pariu, mas não posso.
Devo manter meu foco?
ou devo apenas ignorar a existência dos números?
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
A Maldição de Cassandra
Não existem ouvidos de alma, não existe quem nos entenda, quem adentre nossa essência e compreenda nossa existência, nossas atitudes, nossos olhos. Não existe que me entenda, não existe quem entenda qualquer um. Não existe quem entenda ela.
Ve.sâ.nia:
- designação genérica das diversas espécies de alienação mental; loucura
- D. Quixote é nosso contemporâneo. E o simbolismo será tanto mais expressivo, tanto mais presente, quanto mais espessa for a atmosfera moral dos desânimos, quanto mais longe forem os tempos da vesânia generosa da humanidade. (Raul Pompéia)
Maria tinha olhos enormes e uma curiosidade tão densa, uma imaginação como um perfume legítimo francês, cuidadosamente elaborado por um refinado boticário. Sim, sua imaginação estava impregnada em seu corpo e era perceptível de longe, como cheiro suave e agradável, viciante. Que me prende ao seu lado, que evoca meus desejos mais ternos e obscuros. Seus olhos negros me prendiam perpetuamente, sua pele macia, seu riso. Ah, Maria, eu não me deixo te contaminar.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
A ninguém é permitido ignorar a lei
Porra, eu já sei porque o nosso futuro não vai ser infinito. Você não sabe ignorar realmente os objetos. Porra, eu não deveria precisar de gastar meia palavra com bobeira, pareço pequeneno, minúsculo, puta que pariu. Não deveria ter que escrever isso.
Palavrão é coisa de gente sem mente, sem palavras, sem perspectiva, gente rasa.
Palavrão é coisa de gente sem mente, sem palavras, sem perspectiva, gente rasa.
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