quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A Menina Inteira

Foi que nem ganhar na loteria, só que ao contrário.
Era sempre a mesma pessoa. Sempre esteva lá, viva e respirando. Qual o problema de estar do outro lado do espelho? de ser o oposto do esperado. Ela é o início e o meio, termina no te.
Conheci Clarisse em uma noite qualquer, estava de férias e resolvi sair com dois amigos. Era uma festa legal, ao ar livre.
Por que levou tanto tempo pra perceberem a sua existência?
Quando percebi já era hora de dormir, mas ela não me deixou ir, me aprisionou na sua fala encantadora nas, suas histórias, na sua voz. Seu olhos me aprisionaram, seu corpo me iludia, não me deixava piscar. Sua mente me instigava.
Meus amigos nunca a viram.


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Não se pode fechar os olhos

Corri pro esconderijo
Olhei pela janela
O sol é um só
Mas quem sabe são duas manhãs

Felicidade interna
tudo vem, tudo vai
O mudo devolve o que se planta.
Não dá mais pra deixar o sol trancado no quarto
Exploda e ilumine o mundo.
Veja a beleza, veja as flores.


nothing you can say is gonna change the way i fell

domingo, 15 de setembro de 2013

A metamorfose reversível

Não tem como não ficar doente,
nem mudar pra sempre.
Não tem como morar em outra galáxia sem pegar um avião.

sábado, 3 de agosto de 2013

Olhos abertos

Parece que minha memória voltou, bem do ponto onde ela tinha deixado de existir. Lembrei de tudo que vivi anos atrás, entendi que não consigo aceitar desafios em que a resposta seja só verdadeiro ou falso. Quero alternativas, preciso delas pra acertar!

domingo, 28 de julho de 2013

A Menina Natural [continuação]

Vi que o livro era o memórias de minhas putas tristes, do Gabo. Disse como o livro era bom, da minha admiração pelo autor. Ela examinou a capa e esboçou um leve sorriso. Pagou e disse adeus.
No dia seguinte Ana não quebrou sua rotina, foi ao café, fez o pedido e se sentou. Tirou o livro da bolsa, abriu em uma das últimas páginas e leu. Ficou lá por uns dez minutos. Eu analisava suas expressões a medida que ela ia percorrendo as páginas, por um instante riu quase que descontroladamente. Tentei lembrar de que momento da história se tratava. Não consegui. Inevitavelmente me peguei relendo o livro, cada trecho nada poético, mas denso, o livro parecia pesar cem quilos em cerca de apenas cem páginas. Todos esses cens me deram uma vontade imensa de ler cem anos de solidão. No final daquele mês já havia lido 7 livros do autor, e assim foi. Mais alguns meses e completei todos os livros publicados dele. Continuei observando Ana, ela parou de ir ao café, mas sempre era um personagem da minha leitura.


terça-feira, 16 de julho de 2013

A Menina Natural

A simplicidade da Ana era incrível, seu olhar calmo e seu sorriso delicado, mas sem medo. Ela nunca tinha medo de sorrir. Se preciso for dava até gargalhadas. Menina meiga, que ia de ônibus para a faculdade, aproveitava o tempo para ler. Impossível ter raiva do transito assim, dizia ela, até gosto quando tem um engarrafamentinho, dá tempo de ler muito mais.
Era linda, tinha a pele morena, mas bem clarinha, cor de café com leite. Usava vestidos sempre, não nego que era viciado sem suas pernas, aliás, era viciado nela toda. Sempre a observava da minha pequena banca de jornais/livros que ficava em frente ao café onde ela fazia o desjejum, adorava tentar adivinhar o que ela ia pedir. De longe, a observava tomando seu café matinal, às vezes estava acompanhada, às vezes não. Percebi que sempre que era segunda feira pedia croissant, mais tarde fui descobrir que era o recheado com geleia de pera, meu favorito.
Certo dia Ana decidiu entrar na minha banca, não disse nem oi, foi direto para a sessão de livros. Ficavam todos empilhados quase que do chão até o teto. A banca não é grande, esse era o melhor jeito. Decidi não ir ajudar a escolher, queria ver o que ela iria decidir levar. Depois de uns trinta minutos finalmente pegou um livro branco, era edição de bolso. Olá , eu disse, conseguiu escolher bem? Aqui fica tudo meio bagunçado ... Ela olhou para o livro, esboçou um leve sorriso e me disse Acho que sim, na verdade esse aqui vou levar por obrigação. 


quinta-feira, 2 de maio de 2013

Dívidas

A obsessão de anotar todos os recados
João e Orlando são irmãos. Viviam numa cidade pequena, quieta e fria, no sul do mundo. Tiveram a oportunidade de viver os prazeres da infância, jogaram futebol com os amigos, correram, nadaram nos rios próximos, subiram em árvores e riram bastante de piadas idiotas.
João nutria um desejo imenso de conhecer o mundo, explorar o universo, conhecer pessoas e suas histórias, sabia que a vida não se resumia apenas ao seu [pé].
João cresceu, foi pre faculdade em uma cidade enorme, se formou, virou homem, começou a trabalhar. Voltou pra faculdade, decidiu fazer um curso novo. Certa noite estava no corredor da faculdade de artes, viu uma menina passando, estava um pouco bêbada e usava uma camisa  com uma frase enorme escrita, demorou um pouco até que ele pudesse ler por completo: "A felicidade não é felicidade sem ter um bode tocando violino".
Ela seguia do fundo do corredor em direção a ele, o olhava com um olhar tão fixo quanto se pode ter após algumas taças de blue lagoon.
Finalmente ela o alcançou e com tristeza no olhar, deu-lhe um beijo.
A menina desconhecida prosseguiu, continuou a andar pelo corredor infinito, agora, olhando suas costas João, ligeiramente atordoado e sem fala, percebeu a pintura de Marc Chagall - La Mariée na parte de trás de sua camisa.
Enquanto isso Orlando continuava feliz na pequena cidade.